Hoje pus-me a pensar sobre a emancipação da mulher… As “pitas” de hoje em dia devem pensar “QUÉ?”. Vocês sabem, aquela cena das vossas avós e bisavós andarem para aí a queimar os soutiens, para poderem começar a usar mini-saia e votar… Se isto vos parece muito confuso, googlem o tópico. Continuando, pus-me a pensar sobre isso, pois dantes as grandes preocupações dos seres do sexo feminino, também dito fraco (não sei porquê, se elas aguentam mais dores que eles), eram – cronologicamente falando – arranjar dote, obedecer aos pais, manter-se virgem antes do casório, casar-se (e não ficar para tia), obedecer ao marido, ter filhos e usar preto depois de viúvas. Acessoriamente, e independentemente da sua posição social, tinham que cuidar da casa (antes e depois do casamento), cuidar do marido e educar os filhos. Se a figura masculina vigente (o pai, tutor ou marido) as deixassem, podiam até ter alguns estudos ou dedicarem-se a algum hobbie caridoso. É claro que sempre houve mulheres avant-garde, que assumiam controlo dos negócios da família (mesmo com a fachada do pai ou do marido) e quem nunca ouviu falar da Joana d’Arc? (nos dias que correm é melhor não teclar muito alto esta pergunta).
Temos que dar os parabéns às nossas antecessoras! Os homens deixaram-nas… ops, elas conquistaram o que queriam: o direito de votar (para agora se poderem abster de o fazer), o direito de estudar (hoje em dia, no ensino superior até em nº maior que os seres do sexo oposto), o direito de trabalhar, conduzir, ir tomar um copo, fumar, f****, you name it! E diabos me levem, até têm sucesso naquilo que fazem!
E então porque é que a média dos ordenados do sexo feminino é inferior à dos homens? Ou porque é que há tão poucas mulheres em lugares de chefia? Ai, ai… estou a distrair-me do meu propósito, que é o de verificar que as nossas avós fizeram com que hoje tenhamos muito mais liberdade mas também que nos arranjaram sarna para nos coçarmos. Ora vejam: na maior parte das famílias convencionais ainda há aquele mito de que certos trabalhos são de homem e outros são de mulher (apesar de os homens já se mexerem bastante em casa!). Quem nunca ouviu a piada da Maria que está na cozinha enquanto o Manel está sentadinho na sala a ver TV e a beber uma bejeca?
in Baby Blues da Bizâncio
Mas piadas à parte, a geração actual ainda tem preconceitos quanto às tarefas domésticas e, horror dos horrores, quem os incutiu foram… as mulheres: “ó filho, deixa lá a mesa, vai jogar consola que a avó arruma tudo” ou então “Ó nora, já passaste as camisas do teu marido?”. Já para não falar no facto de que se houver pelo menos uma mulher a viver numa casa com homens, se chega uma visita e encontra a casa menos própria (pó por limpar, roupa por arrumar, chão por aspirar, etc, etc) mesmo que seja inconscientemente, culpa a mulher por isso! Ela é sempre a responsável pelo bem-estar do lar. Até eu já sucumbi a esse pensamento infame: dou por mim a sair de casa de algum casal conhecido a pensar “Bolas, a fulana não sabe nada cuidar da casa/filhos”.
Não é que os homens não saibam fazer ou não queiram fazer tarefas domésticas ou de puericultura. Eles (quase) sempre tiveram uma mulher para lhes amparar a queda! E sendo assim, para quê tomar a iniciativa? Já que elas tratam tão bem de tudo, deixá-las. Já não basta elas terem que estudar, trabalhar, ir às compras, terem os filhos, tratarem deles, ainda têm que tratar da casa e da roupa, programar as compras, refeições, orçamento mensal, lembrar dos aniversários familiares, comprar as prendas, e sempre perfeitamente perfumadas, depiladas, maquilhadas e de cabelo composto não vá o homem ter a tentação de olhar para o lado.
Daí a quantidade de mulheres a cair para o lado com stress, depressões, calmantes ou simplesmente infelizes: além de terem que provar que conseguem ser tão boas ou melhor que os homens profissionalmente, ainda têm que chegar a casa fazer com que tudo brilhe!
As nossas avós deixaram-nos em herança não só a liberdade de podermos ser o que quisermos mas o dever de educarmos as gerações vindouras na partilha de tarefas e responsabilidades.