o vazio

Junho 4, 2007

Difícil é pensar sobre o vazio. Ao fazê-lo apercebemo-nos da insignificância do acto e, contudo, da nossa própria ao contemplá-lo. Unânimes são as ideias de vastidão desértica e escuridão nocturna. Analogias vãs pois caímos no erro da comparação com o que existe pois é o que podemos ver e sentir.

Mas discutível é então a existência do vazio. Como é possível existir algo que contém o que não existe ?

Se admitirmos a não existência só o podemos comparar com algo que também não exista, e aí admitimos a derrota pois só nos resta a perdição num mar de falsos sentidos e divagações socorrendo-nos a nossa imaginação para suprir os nossos limites, bem humanos, do que conhecemos realmente.

Bem mais fácil é admitirmos a existência. Somos forçados a classificá-lo e a admitir que existe um desígnio para tudo o que existe pois faz-nos sentir especiais e humanos. Afinal para quê tudo isto ? Em vez de nos perdermos em algo que não compreendemos, pensamos ao contrário e ao menos encontramos a derrota acreditando cegamente que afinal estamos a ganhar. Só há duas hipótes, ou nada acontece por acaso ou este é o tirano que nos domina impiedosamente por caminhos indizíveis.

As possíveis analogias levam-nos muito alto, para fora de nós próprios e da prisão terrena. Aqui deixa de ser vazio pois velho é o preconceito do éter que preenche todo o espaço e que absorve tudo e não deixa nada. Nunca saberemos se nada é o que lá apenas existe.