Cascas de laranja iam-iam

Junho 8, 2007

Querem deitar o dente a algo doce, natural e fácil de fazer?

Depois de espremer o “néctar dos deuses” (private joke) de algumas laranjas e o beberem, podem aproveitar as cascas que ficaram: retirar a polpa que ficou e cortá-las em tiras com c. de 5mm de largura. Pô-las numa taça e cobrir com água que se muda todas as noites por 2 a 3 dias. Escorrê-las, secá-las e pesá-las. Pesar quase tanto de açucar e juntar 1/3 desse peso em água num tacho, em lume forte, mexendo sempre até se obter uma calda em ponto de cabelo (dica: o açucar tem que derreter na água antes de começar a fazer ponto! Ponto de cabelo: quando se levanta a colher da calda, esta forma um fio “de cabelo”). Nessa altura juntam-se as cascas e mexe-se bem até elas ficarem sequinhas. Deita-se sobre uma superficie fria (bancada) untada com um pouco de óleo vegetal e separam-se as cascas umas das outras. Deixa-se arrefecer e “arrancam-se” da mesa: guardam-se num recipiente fechado (para se manterem rijinhas). São excelentes para servir como digestivo após uma refeição ou com o café ou… a toda a hora!!!

Sugestão: adicionar uma pitada de canela pouco antes de deitar as cascas no tacho.


“Rai’s parta as avós” ou a emancipação da mulher

Junho 6, 2007

Hoje pus-me a pensar sobre a emancipação da mulher… As “pitas” de hoje em dia devem pensar “QUÉ?”. Vocês sabem, aquela cena das vossas avós e bisavós andarem para aí a queimar os soutiens, para poderem começar a usar mini-saia e votar… Se isto vos parece muito confuso, googlem o tópico. Continuando, pus-me a pensar sobre isso, pois dantes as grandes preocupações dos seres do sexo feminino, também dito fraco (não sei porquê, se elas aguentam mais dores que eles), eram – cronologicamente falando – arranjar dote, obedecer aos pais, manter-se virgem antes do casório, casar-se (e não ficar para tia), obedecer ao marido, ter filhos e usar preto depois de viúvas. Acessoriamente, e independentemente da sua posição social, tinham que cuidar da casa (antes e depois do casamento), cuidar do marido e educar os filhos. Se a figura masculina vigente (o pai, tutor ou marido) as deixassem, podiam até ter alguns estudos ou dedicarem-se a algum hobbie caridoso. É claro que sempre houve mulheres avant-garde, que assumiam controlo dos negócios da família (mesmo com a fachada do pai ou do marido) e quem nunca ouviu falar da Joana d’Arc? (nos dias que correm é melhor não teclar muito alto esta pergunta).

Temos que dar os parabéns às nossas antecessoras! Os homens deixaram-nas… ops, elas conquistaram o que queriam: o direito de votar (para agora se poderem abster de o fazer), o direito de estudar (hoje em dia, no ensino superior até em nº maior que os seres do sexo oposto), o direito de trabalhar, conduzir, ir tomar um copo, fumar, f****, you name it! E diabos me levem, até têm sucesso naquilo que fazem!

E então porque é que a média dos ordenados do sexo feminino é inferior à dos homens? Ou porque é que há tão poucas mulheres em lugares de chefia? Ai, ai… estou a distrair-me do meu propósito, que é o de verificar que as nossas avós fizeram com que hoje tenhamos muito mais liberdade mas também que nos arranjaram sarna para nos coçarmos. Ora vejam: na maior parte das famílias convencionais ainda há aquele mito de que certos trabalhos são de homem e outros são de mulher (apesar de os homens já se mexerem bastante em casa!). Quem nunca ouviu a piada da Maria que está na cozinha enquanto o Manel está sentadinho na sala a ver TV e a beber uma bejeca?

 

in Baby Blues da Bizâncio

Mas piadas à parte, a geração actual ainda tem preconceitos quanto às tarefas domésticas e, horror dos horrores, quem os incutiu foram… as mulheres: “ó filho, deixa lá a mesa, vai jogar consola que a avó arruma tudo” ou então “Ó nora, já passaste as camisas do teu marido?”. Já para não falar no facto de que se houver pelo menos uma mulher a viver numa casa com homens, se chega uma visita e encontra a casa menos própria (pó por limpar, roupa por arrumar, chão por aspirar, etc, etc) mesmo que seja inconscientemente, culpa a mulher por isso! Ela é sempre a responsável pelo bem-estar do lar. Até eu já sucumbi a esse pensamento infame: dou por mim a sair de casa de algum casal conhecido a pensar “Bolas, a fulana não sabe nada cuidar da casa/filhos”.

Não é que os homens não saibam fazer ou não queiram fazer tarefas domésticas ou de puericultura. Eles (quase) sempre tiveram uma mulher para lhes amparar a queda! E sendo assim, para quê tomar a iniciativa? Já que elas tratam tão bem de tudo, deixá-las. Já não basta elas terem que estudar, trabalhar, ir às compras, terem os filhos, tratarem deles, ainda têm que tratar da casa e da roupa, programar as compras, refeições, orçamento mensal, lembrar dos aniversários familiares, comprar as prendas, e sempre perfeitamente perfumadas, depiladas, maquilhadas e de cabelo composto não vá o homem ter a tentação de olhar para o lado.

Daí a quantidade de mulheres a cair para o lado com stress, depressões, calmantes ou simplesmente infelizes: além de terem que provar que conseguem ser tão boas ou melhor que os homens profissionalmente, ainda têm que chegar a casa fazer com que tudo brilhe!

As nossas avós deixaram-nos em herança não só a liberdade de podermos ser o que quisermos mas o dever de educarmos as gerações vindouras na partilha de tarefas e responsabilidades.


NOVIDADE!!

Junho 5, 2007

decidi acrescentar esta categoria para comentar sítios e dar dicas (quem não gosta de uma bela dica para melhorar os seus pratos?)

A dica de hoje é: Não COMAM NAS CANTINAS!!! (para quem já se esqueceu, o nome do blog é inépcias, meus amigos)


hemeroteca digital

Junho 5, 2007

do Gr. heméra, dia + théke, caixa, colecção

s. f.,

secção da biblioteca onde se arquivam jornais e publicações periódicas. (www.priberam.pt)

Faz hoje dois anos  e é a maior de Portugal… se isto não a faz merecer uma visita virtual, não sei o que fará!

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/


o vazio

Junho 4, 2007

Difícil é pensar sobre o vazio. Ao fazê-lo apercebemo-nos da insignificância do acto e, contudo, da nossa própria ao contemplá-lo. Unânimes são as ideias de vastidão desértica e escuridão nocturna. Analogias vãs pois caímos no erro da comparação com o que existe pois é o que podemos ver e sentir.

Mas discutível é então a existência do vazio. Como é possível existir algo que contém o que não existe ?

Se admitirmos a não existência só o podemos comparar com algo que também não exista, e aí admitimos a derrota pois só nos resta a perdição num mar de falsos sentidos e divagações socorrendo-nos a nossa imaginação para suprir os nossos limites, bem humanos, do que conhecemos realmente.

Bem mais fácil é admitirmos a existência. Somos forçados a classificá-lo e a admitir que existe um desígnio para tudo o que existe pois faz-nos sentir especiais e humanos. Afinal para quê tudo isto ? Em vez de nos perdermos em algo que não compreendemos, pensamos ao contrário e ao menos encontramos a derrota acreditando cegamente que afinal estamos a ganhar. Só há duas hipótes, ou nada acontece por acaso ou este é o tirano que nos domina impiedosamente por caminhos indizíveis.

As possíveis analogias levam-nos muito alto, para fora de nós próprios e da prisão terrena. Aqui deixa de ser vazio pois velho é o preconceito do éter que preenche todo o espaço e que absorve tudo e não deixa nada. Nunca saberemos se nada é o que lá apenas existe.